Hoje quero falar sobre meus heróis. Na realidade, um herói e uma heroína. Minha dupla dinâmica preferida.
Meu herói é o melhor que pode existir. Sempre o admirei, o venerei. Cresci escutando suas fantásticas histórias, acompanhei inúmeras de suas conquistas. Sempre desejei ser um dia como ele. Ser tão forte para aguentar as durezas do dia a dia, tão inteligente para desvendar os enigmas que a vida propõe, tão capaz para enfrentar os desafios. Muitos dos ensinamentos que tive foram obra desse herói. Não posso negar que em alguns momentos ele me decepcionou. Talvez porque eu esperasse algo de outro mundo dele, algo extraterreste, e ele era apenas humano. Apenas não, muito humano. Tanto que, com o passar do tempo, reconheci nele medos, aflições, anseios. Sentimentos que achei pertencerem aos “normais”, não aos heróis. Percebi que ele errava também, não era infalível. Mesmo suas fraquezas muito me ensinaram. Até que a vida pregou-lhe uma peça, típica armadilha de um vilão, e roubou-lhe alguns de seus super-poderes. Mesmo assim, esse meu herói sempre será um “fantástico” pra mim.
Minha heroína é a maior de todas. Uma super defensora, sempre pronta a lidar com o próximo desafio. Muito zelosa, procura me alertar dos perigos que surgem ao longo da vida. Forte como uma rocha, o que contrasta com sua figura delicada. Sagaz ao extremo, pontual em suas observações. Seus super-poderes são de uma diversidade impressionante. Mesmo sendo uma grande heroína, jamais recusou novos ensinamentos. Minha adoração por ela transcende os limites, pois sei que sua história contabiliza muitas dificuldades, muitos golpes duros, dezenas de obstáculos intransponíveis, alguns quase pontos finais. Mas, tal qual uma fênix, ela sempre ressurgiu das cinzas, com seu brilho cada vez mais incandescente. Assim como uma líder, guia os rumos de suas missões, para ela não bastando cumprí-las, e sim fazer o que de melhor pode ser feito. E, fanatismo à parte, tudo o que ela faz é simplesmente inacreditável.
Meus grandes heróis.
Não, eles não salvam o mundo todos os dias.
Mas, sim, batalham sempre para fazer do meu mundo um pouco melhor para se viver.
Em um vagão de metrô, centenas de histórias se confundem. Silenciosas, tornam humanos os seres ali presentes. Passo os olhos ao meu redor e então descubro o que os afligem, confortam, desesperam, realizam. Aquilo que os deixam vivos.
Robson pensa na prova de logo mais na faculdade, para a qual não estudou nada, já que varou a madrugada “estudando” o seu Xbox 360. Alberto está preocupado com a mesma prova, para a qual também não estudou, já que varou a madrugada trabalhando de porteiro, um de seus dois empregos, quase precisando de um terceiro para sustentar mulher e filhos. Kátia repassa mentalmente alguns pontos de seu TCC, a ser apresentado dali poucos minutos. Cleiton sonha em fazer uma faculdade, mas primeiro precisa terminar o ensino fundamental, mesmo que já tenha 25 anos.
Pedro sua frio a caminho de sua primeira entrevista de emprego. Cássio sua de cansaço, pois visita a décima agência de empregos só esta semana. Arlete nem sabe mais o que é suar, acomodada pelos vinte anos na mesma função. Patrícia sua dobrado para fazer sua recém-criada empresa dar certo. Valmir sua em bicas percorrendo o vagão inteiro vendendo chicletes e chocolates.
Mauro pensa em fazer um pedido de casamento. Elaine tomou a decisão de pedir o divórcio. Amanda só sai com homens comprometidos. Lauro não sai com ninguém por conta de sua timidez. Márcio acha que sua mulher está saindo com outro. Alex tem certeza que encontrou o amor de sua vida.
Caetano será pai de gêmeos. Nádia tem em mãos os exames que confirmam sua impossibilidade de ter filhos. Karen não sabe, mas está grávida. Mônica não sabe de quem, mas está grávida. Carol sabe de quem, quando e onde ficou grávida, mas busca uma maneira de “acabar” com sua gravidez.
Fred já foi assaltado quatro vezes, e agora anda com um 38 “clandestino” na mochila para “se defender”. Gabriel já assaltou três vezes, mas parou com essa vida após seus dois irmãos morrerem em “fitas” que deram errado. Artur não assalta, trafica, e em um mês ganhou mais dinheiro que Sr. Lázaro já viu ao longo de seus 68 anos. Dinheiro ganho, diga-se de passagem, graças a viciados como Rafa, que gasta seus finais de semana atolado em cocaína nas festinhas vips que promove.
Alan é socialista. Michel é anarquista. Carmen é consumista. Luis é artista. Léo é paulista. Rita é fria e calculista.
Renato carrega um jornal completo, pronto para se atualizar com as notícias do dia. Fábio só lê a parte de Esportes, interessado apenas com o que acontece com seu Corinthians. Aline passa o olho na parte de Televisão, pois precisa saber o que aconteceu no BBB e o que vai acontecer na novela. Daniele devora a seção de Economia, ansiosa para ter informações sobre o mercado financeiro, dólar e ações.
O metrô desacelera. Estação Sé. Desembarque pelo lado esquerdo do trem. Eu deixo o vagão, porém as histórias continuam indo e vindo. Em uma São Paulo sem fim.
Sport Club Corinthians Paulista. Uma “fiel” “nação” composta por 30 milhões de “loucos”. Cada “corinthiano, maloqueiro, e sofredor graças a Deus” que vive intensamente em preto e branco.
Ser corinthiano é fazer do sofrimento sua alegria, do seu martírio a glória, de sua luta a conquista. Abraçar no estádio aquele ao seu lado como se fosse de sua família. Saber que futebol bonito é sinônimo de raça e entrega. Vibrar com chutão para lateral como se fosse um gol. Pedir para São Jorge sempre ajudar. Gritar o dobro a cada gol tomado. Comemorar o triplo cada gol feito. Acreditar até os 48 do segundo tempo. Invadir estádios e Estados. Contar histórias e fazer História. Carregar o símbolo no peito como herança, com orgulho e gratidão. Viver cada jogo como se fosse uma final. É nunca abandonar, porque se ama. Xingar o técnico, o goleiro, o centroavante. Louvar o técnico, o goleiro, o centroavante. Perder títulos, ganhar títulos, disputar títulos. Nunca ser coadjuvante. Ser campeão.
Como disse Toquinho, “ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro”.
Sou louco por futebol. Gosto de jogar, assistir, torcer, competir no videogame, comentar, ver e ouvir os comentários. Enfim, sou movido pela bola e pelo gol.
Porém nem tudo no futebol conta com minha aprovação. Dentre diversos fatos, um me desagrada bastante, e parece ter virado moda nos últimos tempos: jogador não comemorar gol marcado contra um ex-clube.
Explico. “Fulano” é contratado pelo Corinthians. Em sua primeira entrevista pelo clube avisa: “Se eu marcar gol no Flamengo não irei comemorar, por questão de respeito a torcida do meu ex-clube”. Como assim cara pálida? E o respeito pelo clube que te contratou, que paga teu salário? E o respeito pela torcida que paga ingresso, lota o estádio e grita o seu nome, o trata como ídolo?
Não consigo entender. O gol é o ápice do jogo, o objetivo maior, e o jogador opta por não celebrar tal momento. “Ah, mas eu tenho história por “tal” clube”. Ué, se a preocupação e sua história pelo ex-time, não jogue em outro então.
Falo por mim: se tivesse sido jogador de futebol atuaria minha vida inteira pelo Corinthians. Em hipótese alguma conseguiria atuar contra o clube do meu coração. Não precisaria passar pelo constrangimento de não comemorar um gol feito.
Temo pelo dia em que o jogador pedirá desculpas por ter marcado um tento. A comemoração de um gol é um show a parte, essencial para que o futebol seja o espetáculo que conhecemos. Tantos jogadores ficaram marcados por suas celebrações características, pela irreverência na hora do gol, e fulano insiste em não comemorar por “respeito” ao outro clube. Que não marque gols, deixe essa “arte” para quem sabe vibrar, para quem sabe o verdadeiro significado do gol!
Domingo, sete horas da manhã. Falta pouco para Gilsinho entrar em campo. Como de costume, já está de pé desde cedo. Sua mulher Cristina acorda para fazer o café. Sorrindo o camisa nove do Pitangueiras F.C. alerta:
- Sem o pingado e pão na chapa meu rendimento não é o mesmo.
Enquanto a esposa prepara o desjejum, Gilsinho sai em busca do “material de trabalho”. Junta caneleiras, meião, chuteira, faixas de proteção. Coloca-os na bolsa que ganhou de presente da mãe.
-Tá pronto Gilson, vem logo senão esfria. – avisa a esposa.
Rapidamente toma o café, e em poucos minutos está preparado para mais uma peleja. Pega a chave do carro, um Uno preto 97, “quase novo, tudo em cima”, segundo Gilson Ribeiro Soares, 25 anos completos em julho. Mecânico, ele conhece o funcionamento de um motor assim como o caminho do gol.
- Sou melhor mecânico do que jogador viu. Em campo eu posso errar que logo depois tem outra oportunidade. Na oficina não, tem que ser 100% competente, senão o cliente não confia mais.
A caminho do “estádio”, a trilha sonora é o pagode do grupo Revelação. Vinte minutos depois Gilsinho está no lugar em que se sente em casa. Para o carro na vaga de sempre, na parte dos fundos do campo. De longe vai avistando os companheiros, e como de costume, é o último a chegar. O primeiro a avistá-lo é Mauro, um dos poucos já grisalhos na equipe, capitão do time.
- O dia que o Gilson chegar cedo eu me aposento do futebol.
Ronaldo, goleiro magro e alto, complementa com ironia.
- Ah chefe, a estrela sempre chega por último né!
Todos caem na gargalhada, e caminham em direção ao vestiário. O time adversário já bate bola no gramado. Gramado este que já conheceu melhores dias. Uma mescla de terra e grama compõe o terreno de jogo. Pequenas ondulações testam a habilidade dos atletas, e os reflexos dos goleiros. Paralelo ao lado esquerdo do campo fica um barranco coberto de mato, usado como artifício para os times fazerem “cera”, lançando a bola em direção ao matagal, gastando-se tempo até a volta da pelota.
Do lado direito do campo se concentram os torcedores. Familiares, amigos, anônimos, simpatizantes do time local ou do visitante.
- É hoje que o Pitangueiras dá uma goleada.
Confiante, um senhor de barba branca rala brada em alto e bom som contra os adversários. É o Seu Edvaldo, figura carimbada nos jogos do Pitangueiras.
- Se me colocarem no ataque, faço três gols fácil, fácil.
Atleta dos primórdios do time, Seu Edvaldo parou de jogar mas não abandonou a várzea.
- Existe muito respeito entre os times da várzea. Todos tem um nome a zelar. Por isso mesmo todo mundo quer ganhar, para não ser gozado depois.
Nos vestiários, as últimas instruções são passadas. Cada jogador pega sua camisa no saco de roupas. Gilsinho espera sentado até alguém jogar a nove para ele. Segura o manto nas mãos, como se fosse vestir sua armadura. Amarra as chuteiras, um tanto quanto gastas pelos milhares de chutes de cada final de semana. Está pronto para fazer o que mais gosta: jogar futebol.
Entra em campo ouvindo o incentivo da galera. A proximidade da torcida enche Gilsinho de confiança, pois ali ele se sente capaz de dar alegrias àquele pessoal. Quem sabe fazer o domingo de todos um dia mais feliz? Fica a pensar como seria encarar um estádio lotado, ter seu nome gritado por milhares de torcedores. Se a várzea já provoca uma sensação tão boa como aquela, imagine um Morumbi com 70 mil pessoas, um Maracanã em dia de Fla-Flu. Só que para Gilsinho, a essência do futebol está no amor pela bola. “Posso jogar para uma pessoa, ou para mil, vou sentir a mesma vontade de estar em campo”.
A várzea não tem o luxo do futebol profissional. Seus campos não passam perto dos cuidados gramados de estádios particulares. Os torcedores, quase sempre conhecidos dos atletas, não contabilizam cem pessoas, quando muito chegam a cinquenta. O nível técnico dos jogos muitas vezes deixa a desejar, pois na várzea não precisa de peneira para fazer parte de um time. No entanto, mesmo com tudo isso, é na várzea onde está aquilo que todos os apaixonados por futebol sonham em encontrar no profissional atual: o verdadeiro amor à camisa, a paixão em se praticar o esporte. As afirmações são dos protagonistas varzeanos.
- Onde mais você pode jogar em um time só com amigos seus? – pergunta Gilsinho – Não tem essa de neguinho fazer panela, esquema prá derrubar treinador. A maioria é vizinho, de freqüentar um a casa do outro, não tem trairagem não.
- Até porque quem pisar na bola fica fora do churrasco da galera, – complementa Miranda, meio campo da equipe, e que faz as vezes de churrasqueiro nos encontros do time. – Aqui não tem frescura de concentração, preleção, treino tático. É chegar em campo e fazer gol, ganhar o jogo.
Fazer gol e ganhar o jogo. Isso Gilsinho ama fazer. Está ali para se divertir e vencer. O árbitro apita e começa a partida. Jogo truncado no início, uma falta após a outra. É pegar na bola e já ter um, dois adversários em seu encalço. Gilsinho procura seu espaço em campo, e logo percebe que o número 4 do time adversário, um zagueiro de 2 metros de altura por 3 de largura, não irá desgrudar na marcação.
Já se passam cinco minutos de jogo e nada da bola chegar ao ataque, nada de Gilsinho encostar na redonda. Decide então ir buscar jogo, vai até o meio campo, recebe, faz o giro, e dispara no contra ataque. O primeiro adversário é driblado fácil, só na corrida. O segundo já recebe uma finta de corpo, feita com sucesso pelo atacante. Quando levanta a cabeça, Gilsinho avista o número 4, o armário em forma de zagueiro. Abaixa a cabeça para olhar a bola, e quando levanta de novo, como num passe de mágica, o zagueiro já está na sua frente, e um milésimo de segundo depois, Gilsinho já está no chão, desnorteado pela trombada de frente com o adversário. O juiz manda o jogo seguir, numa clara demonstração de como conduziria o jogo dali pra frente.
Jogo esse que não animava quem assistia, dado o pouco futebol praticado pelas duas equipes, fazendo com que muitos procurassem no bar ao lado da arquibancada uma alegria maior do que a vista no gramado.
- Vamos Pitangueiras, que vitória se comemora com cerveja.
Esse é o slogan de Rui Falcão, dono do bar e profundo conhecedor do mundo da várzea.
- Já vi muito jogador com potencial para atuar em time grande, mas por falta de oportunidade fez do futebol um lazer, não profissão.
Gilsinho é um desses casos. Por muito pouco não enveredou pelo caminho do profissional, unindo seu lazer à obrigação do ofício. A incerteza no futuro da carreira e a necessidade imediata de um presente para a família fez com que optasse pela profissão de mecânico, atuando junto ao pai na oficina da família. Gilsinho entende ter feito o melhor para sua vida.
- Parando pra pensar, acho que fiz a escolha certa. Pensa só, tenho uma filhinha pequena, quero ficar perto dela, ser aquele pai sabe? Se eu fosse profissional, teria de ficar na concentração, como veria minha filha? Na várzea eu posso jogar tranquilo, me divertir. Deixo o serviço pra oficina, me dedico ali pra por o pão dentro de casa, entende.
E dentro de campo Gilsinho continua tentando se divertir. O primeiro tempo se passa e o máximo que consegue fazer é trocar três passes com o companheiro de ataque Dário, ponta direita inteligente e muito veloz. No intervalo, decide trocar de posição com Dário.
- Vai você na minha, porque o grandão lá não vai conseguir te acompanhar.
- Mas e se não der certo?, diz Dário.
- Vai dar, pode ter certeza, responde Gilsinho com um sorriso nos lábios, com a certeza que não falharia.
Segundo tempo começa como o primeiro, jogo amarrado, equipes trocando bola, sem concluir em gol. Porém, a diferença estava na atuação de Gilsinho. Ao contrário da primeira etapa, seu primeiro toque na bola aconteceu rapidamente, e dessa vez certeiro. Recebeu do lado esquerdo do campo com liberdade, fintou o primeiro, tirou do segundo e lançou Dário em profundidade. Muito mais veloz do que o zagueiro-armário, o ponta do Pitangueiras botou na frente, e, cara a cara com o goleiro, tocou no canto esquerdo, pra fazer vibrar a torcida local. “Deu certo, deu certo”, gritava Dário. “Eu sabia que a gente conseguia”, vibrava Gilsinho.
O gol é o mesmo, seja no profissional, seja no amador. O que diferencia esses mundos em tal momento é a vibração contida nessa arte. Balançar a rede na várzea é o apogeu do atleta, seu momento máximo, a coroação de uma semana suada, onde você esquece dos problemas e se volta ao seu momento de estrela. E Gilsinho, mesmo acostumado com tal sensação, queria passar por aquilo novamente. Construir aos poucos a obra final do futebol. Ouvir o barulho da bola correndo no gramado e estufando a rede.
A vitória parcial por 1 X 0 deu tranquilidade para Gilsinho buscar seu gol. E ele veio no final do jogo. Mesmo cansado, o centroavante foi acionado no contra ataque. Girou, passou a bola para o pé bom, o esquerdo, e avançou. Levantou a cabeça e viu mais uma vez o gigante número 4 adversário, assim como no primeiro tempo.
Só que dessa vez o desfecho seria outro. Para alegria de Gilsinho e do Pitangueiras.
Novamente ele ameaçou uma corrida desenfreada na direção do gol, mas dessa vez utilizou da malícia enraizada na várzea para aplicar um drible entre as pernas do zagueiro, ficando agora este desnorteado pela inteligência e habilidade do atacante. Faltava a Gilsinho agora vencer o goleiro, para então correr para o abraço. Sem dificuldades, um toque por cobertura, mais um gol na conta. O abraço então veio na forma de uma avalanche de companheiros da equipe.
Dever cumprido. Com a certeza que a semana começava, pelo menos para o Pitangueiras, feliz. Porque o time de amigos se divertiu jogando, e melhor ainda, ganhando.
E Gilsinho voltou para casa feliz, pronto para encontrar a filha no portão de casa, com a pergunta na ponta da língua “Fez gol pra mim papai?”. E, após a resposta positiva, ver o sorriso da menina, e sentir ali a sensação do gol feito, o êxtase maior novamente. Adentrar a casa e sentir o cheiro delicioso da comida da esposa, o tempero do feijão tomando conta dos cômodos de seu lar. Sentar no sofá da sala, ligar a televisão no jogo do campeonato espanhol, assistir o Real Madrid jogar e poder dizer, com sinceridade e convicção:
- Eu sou mais feliz que esses caras aí. E, se bobear, jogo mais do que eles.
Hoje o blog completa exatamente um ano de existência. Aproveito o momento para fazer um balanço dessa experiência.
Sinto que deveria ter tido essa idéia há mais tempo. O ato de escrever, de colocar em letras o que está fervendo em minha mente, é mais do que terapêutico para mim, é acima de tudo prazeroso. Teve a euforia inicial, em que escrevia textos um atrás do outro. Teve a fase de branco total, em que nada saia de minhas idéias. Atualmente equilibro bem minha iniciativa de criação textual. Aprendi que não devo me obrigar a ter esta tarefa. E, pura ironia, acho que foi na época do vazio em que escrevi o meu texto preferido: (In)verdade. Interagi mais comigo, com meus sentimentos, com minha emoções. Traduzi a loucura de poder, ao mesmo tempo, ser e não ser eu. Expressei medos, expus pensamentos, arrisquei estilos, deixei fluir minha imaginação. Tive a ajuda da Bel, com seus ótimos textos, auxílio este que funcionou como um combustível a mais para o andamento do blog . Recebi elogios e críticas, fiquei mais auto crítico, continuo tendo vergonha de algumas coisas que escrevo. Pensei em vôos mais altos, em projetos sonhadores, que encontram-se ainda distantes. Mas, como disse aqui no primeiro post: “Que esse começo me leve para algum lugar…”, quem sabe até onde isso tudo pode chegar? Eu não sei, mas pretendo descobrir. Obrigado a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a existência desse “projeto” todo. Valeu mesmo.
Como faço em muitos dos meus posts, anexo uma música para finalizá-lo. Desta vez, coloco explicação, pois a música a seguir não tem a ver com o assunto, mas sim comigo. Ela me dá um sentimento de renovação, de seguir em frente, de continuar sempre. Não sei explicar o motivo. Mas sempre que a escuto sinto que uma página nova está para ser escrita.